skip to main |
skip to sidebar
NÃO PODE SER SÓ ISSO
Sandro Sanchez
Meu mundo não pode ser só este
preciso viajar
preciso respirar
dar voltas
e descobrir o amor
Preciso vagar
no mar
pois sem sal
estou
tenho que sair
dar vazão a paixão
por esta vida
Estou preso
tenho que saltar
a vida não pode ser
somente isso
somente esta janela
Procuro alguém que me ame
pelo que sou
não pelo que pareço ser
preciso sair
viajar
transitar no véu
do mundo
Tenho que sair
pensar em todos nós
fazer do amor
ao próximo
um "hit"
Ter alguém
pra me olhar todo dia
por todo o dia
e dizer o quanto me quer
e o quanto a quero
Este não é meu lugar
lugar é tudo
preciso descobrir
e ser irresponsável com a lei
descobrir mais
conhecer mais
caminhar
muito mais...
procurar quem se sente...
onde estão os puros?
e os menos superficiais...
INVENTANDO RUGAS
Sandro Sanchez
São passageiros
que deixo passar
não percebo
e quando vejo
fui despistado
Assusto então
será que devo de vez assumir
uma idade que não tenho?
sou pressionado a envelhecer
como posso ser
e gostar
de pautas
que não me pertencem?
Pecador de fato
por não envelhecer
por me atualizar
nem tentam
suponham
que como todos os outros
também envelheci
Não ouvem
não vêem
que o fardo e o rastro
só passa
pra quem sem graça
ou de graça
aceita
Pavor de ser ridículo
mas sei que não sou
devo envelhecer então?
pra encaixar-me
na instrução
na lei
devo usar sapatos?
criar rugas?
ter bens e
vangloriar-me
de ser estável
palpável
de realizar reformas
de despertar manhãzinha
.....de somente falar a língua da minha década?
AO REDOR
Sandro Sanchez
É tudo muito lento
neste momento
sou vedor deste
deste fato
paciente de um quarto
neste profundo e improvável
tempo
Estou ainda pecando
mas agora
de forma mais vaga
a moça que acabou de passar
estranhou-me
A aeronave que flutuou sobre mim
percebeu-me
o estouro no céu
brindou-me
a luz na casa distante
me chamou
As folhas então
estáticas estão
a sombra é maior
o automotor não me
notou
O inseto parou pra me fitar
a música acelerou
mas parou logo em seguida
a vila está vazia
os bípedes não vieram
Meu corpo está em fervor
suando pra detalhes
de resto
nada moveu-se
a não ser a luz da casa distante
que se apagou
O MEU PERDÃO
Sandro Sanchez
Me perdoem todos os leitores
se os assusto
se os amedronto
se os causo horrores
Se manifesto a preocupação
se os deixo no meio do pântano
se declaro minha escuridão
se faço chover a "cântaros"
Perdoem não a mim
mas a minha verdade
perdoem este sofrimento sem fim
e se puderem
me matem
Não foi intencional
causar tristeza
ser brutal
nem quero avareza
apenas quero
uma condicional
Peço sinceras desculpas
pelos meus sofrimentos
por minhas frustrações avulsas
peço arrego
um mar
um céu
um entendimento
Desculpem o equívoco
o erro
o trágico e o lírico
o máximo
o mínimo
por ter sido pálido
patético
e crítico.
Meu perdão
pra você que entristeceu
ao ler
tentar entender
o sofrimento meu
prometo aquecer
este coração
sem vida
sem sombra
com brisa
com ondas
com a fibra
que não se moveu.
NÃO MENTE
Sandro Sanchez
Senta aqui na minha frente
e quando te perguntar sobre mim
não mente
Aperta minha mão
olha pra dentro do meu coração
se aguente
não segure pra sempre
esta sua emoção
Pare de cercar doentes
me aceite,
mesmo que uma serpente
te diga que não
Às vezes
preciso de um ente
pra passear sobre o leito
da minha oração
Venha pra mim
se enfeite
e olha pra essa gente
de aparente fração
E quando for prudente
não esqueça que a mente
não chega perto
nem sente
o que faço de bom
E quando estiver crente
que acabou a paixão
acorde, quebre a corrente
pois assim se sente
e se obtém o perdão
E sob a lente
deste seu escrevente
tudo é imaginação
a sanidade caminha rente
a alegria depende
da sua aparição
PARADO (UM POUCO)
Sandro Sanchez
Vou parar um pouco
não tenho tido luminosidade
nem sinônimos
metáforas
expressões
nem paz canina
No embate eterno
contra mim
perco eu... e só eu
Vou parar um pouco
tornar-me mais e mais
invisível um pouco
sentar , sorver
soluçar sem querer parar
Então paro um pouco
estou seco
você já sabia
me conhecem tão bem
porém não sabem cuidar
Parei um pouco
e não uso almas e corpos
para esquecer outros
por mais que sei que faça
você as almas e espíritos
agrada
Tudo parado
sem quetais
e aqui fico
findo
fecho-me
pro querer.
EXPLICANDO
Sandro Sanchez
Passei aqui um bom tempo
uns bons parágrafos
a me defender
tenho que me explicar
mesmo sem precisar
lhe devo satisfação
mesmo ciente
que vai dar de ombros
como sempre
Como sempre me expliquei
passei quase uma vida
até agora
explicando-me
dando álibis
mesmo sem precisar
É este o trauma
de sempre
ter sido acusado
e julgado
por coisas que nunca fiz
Então explico-me
suplico agora
por um perdão sem hora
minhas cem horas
senhora do tempo
menina do vento
"moleca" do mundo
Entenda agora
que noventa por cento
eu não fiz
mas sempre alguém
esperou explicação
Então está aí
uma eterna satisfação
uma submissão
uma fraqueza
para encher a cabeça de vocês
de calma
de alívio
e certeza.