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QUE PECADO?
Sandro Sanchez
Pleno de mim
até quando?
enfim
até quando o sol
teimar em aquecer um pequeno espaço
até quando o pão bastar
pra saciar minha fome
mas e as vestes de paz?
confesso que não estou
as encontrando
cada vez mais distante
de todos
ensaio até um diálogo
até divirto
mas apertado
o peito
sempre está
O que não pode voltar
que distante fique
pois deveria o meu caminhar
distanciar-me
do que foi
posso estar completo
mas por mais que digam
esta verdade artificial
sempre faltará
alguém para
me dizer
o quanto de nada necessito
subverto e admito
um contra-senso
o sentimento imenso
tento não dar a chance
mas mostro-me sempre fraco
tenho direitos
deveres
penso e sinto o que quero
mas quando aquilo que quero
quebra o salto
rasga o véu
perco-me na fantasia
e não admito
uma verdade absoluta.
MENINO E MENINA
Sandro Sanchez
Agora o menino e a menina volitam
penetram em novas mentes
e em estado gasoso
continuam perdidos
mas fingem se encontrar
terem se encontrado
seguem assim
penando
perambulando em outros corações
sabem onde deveriam estar
mas temem o estar
sonham sem parar
acordam transpirando
e voltam a volitar.
ALGUNS DIAS
Sandro Sanchez
Palavras agora não tem mais tanta
importância
quando tenho em mim seu olhar
os dias agora
parecem poucos
quando nossas almas
são velhas conhecidas
Um beijo agora parece bom
quando posso flutuar em teu céu
um abraço agora é claro
mas me parece pequeno
diante do invólucro em nossos
corações
Sigamos então
peregrinando esta magia
sentindo o tato leve
a ânsia de alegria
quando você me recebe
os mil planos só pra ficarmos
sonhando...
lado a lado
A falta que faz
mesmo sabendo que estamos
já
embaralhados
mas queremos mais
e mesmo que em pele
não estivermos ás vezes
temos a certeza
que o coração fica aquecido
com nosso pensar
E como cuidamos
com o sentinela
feito de segredos
que são somente nossos
feito de apegos
o mundo pra todos melhorou
assim que despejamos
a magnífica vontade
de caminharmos
em campo florido
“...e em verdade te digo”
Que este combustível
Que
agora move essas vidas
é feito de reservas
Intermináveis
E pleno amor.
A VERDADE INVENTO
Sandro Sanchez
Num cálice fraco e lento
interiorizo minha fé
mas esta mesma fé que anteontem
era vil
e que hoje de forma plácida
me apoquenta
por hora ainda não me preenche
falta-me ainda algo
algo de não sei bem o quê
de plenitude
A verdade
esta sim falta-me
e por todo
de sempre
faltou-me
bem que tentei
mostrar-me de forma
clara
mas a ausência de graça
de uma margarida perfumada
de vida chamativa
nunca tive
E por fato
que concluo
encerro e findo
a minha verdadeira vida
e vou rastejando
na extremidade
da minha
inventiva verdade
AGRACIADO
Sandro Sanchez
Estou acostumando-me
ainda
com a sensação de leveza
alegria
certeza
e torpor
De início soava-me
a estranheza de nunca ter sido
agraciado
com imensa sorte
com tamanho carinho
com sincera e incondicional
preocupação
Estava até então em fécula
estático em pensamento
portentoso na solidão
mas,
serviram-me teu lábio
e todo o seu
fardo leve,
de sonhos
Sinto-me mais eu
mas não somente
eu
que faço esta
face sorrir
e sim o formato
perene
a pele
envolta em maciez
sem fim
ao menos hoje
Esta noite
eu sempre quis
esta flor de lótus
que em vasto céu
me deu a mão
e assim
então
desde então
vamos caminhar
sob artifícios
e sobre você
meu calor...
QUERIA ADORMECER
Sandro Sanchez
Herdei a confusão
a lembrança da textura da pele
herdei o perfume
o jeito escondido de viver
herdei a complicação
a delicadeza de fazer
o modo ereto de caminhar
o ato sem agir
que intimida
Sobrou a falta de fome
a flor que não se cheira
a exigência de ser afável
a plástica
a aparência
o sonho
o pesadelo
todas as noites
sem exceção
Ficou uma vontade
que o tempo teima
em não dissipar
o vento queima a pele
quando entro no campo
no tema
no seu espaço
Restou a elegância
a ânsia de descobrir
a prática do manuseio
a incerteza nas relações
a pureza da voz
a leveza
e por fim
a estranheza
adorável.
TANTOS NORMAIS
Sandro Sanchez
Tantos são normais
tantos estão
aprumados
e intensamente normais
doloridos e normais
Sempre limpos
foscos
de bom caimento
perfeitos
belos
apenas em mim
não os encontro
Sou perecível
perto destas meninas
falível
mas em pensamento
este sim
me favorece
e criva
um tanto de esperança
Mas este mesmo pensamento
me prega peças
tira-me o chão
a firmeza
e torno a pensar nos normais
Normais
que de tão normais
chego
a desejar
juntar-me
e contrair
a sanidade
destes normais
não, jamás.