sexta-feira, 25 de setembro de 2009

SOCORRO


SOCORRO!
Sandro Sanchez

Eu clamo por socorro
e não é de ontem
e é pra ontem
não sei mais quantas vezes eu terei que dizer
que errei já muito
e não sei quantas vezes direi que tantos erram
também
não sei se atingi o nirvana para entender
que no erro cabe culpa
que no erro cabe perdão
o que faço é obrigação
o que me fazem
é caridade

Preciso de alguém que me defenda
com extrema urgência
não suporto mais desprezos
não suporto mais friezas
tenha piedade
acolha-me


Estou doente
o desprezo adoeceu-me
desprezo de mãe
frieza de manos
alguém
socorro!

Alguém que me queira
que lute comigo
e por mim
que vá comigo
que ilustre minha pureza
o meu bem
pois só
não consigo mais

Estou fazendo tudo certo
mas a pena parece eterna
não me sinto filho
não me sinto irmão
parente, amigo, cidadão
não me sinto parte de nada
de tudo isso
por favor
fale por mim
diga que também sou bom
e mereço
um pouco de mel

sábado, 12 de setembro de 2009

SEJA BEM VINDO


SEJA BEM VINDO
Sandro Sanchez

Bem vindo ao que não se pode sentir
por mim
escancaro minha vida
minha desqualificada e sem emoção
minhas dúvidas
minhas balburdias
meu excremento
meu modo
frenético de pensar e de
calcular
planejar
planos inviáveis
de sonhar
tanto
de sonhar muito
que o tempo voltará
e observo
sou observado
e na dificuldade
de me relacionar
vou leve
e vou cego
controlando-me
tomo emprestado a luz da lua
vou aprendendo a viver só
em multidões

A CHANCE


A CHANCE
Sandro Sanchez

Quando se chega a um ponto
em que não há mais saída
nem entrada
pensou-se em tudo
tentou-se achar uma mínima semente no chão
e nada

Quando se abriu todas as portas
e todas estão vazias
já se lambeu o prato
já dobrou-se ao máximo o papel
já se tentou dormir sem sono
já se tentou a suplica
a poética feita de ultima hora

O diálogo já acabou
o dinheiro também
o cigarro é fiel amigo
amigos não tenho
por esquece-los
e apostar numa só amizade

E agora "aquela amizade"
meu companheiro
já se foi
e te olham com um transmissor
de doença grave
quando se chega só


gaguejo prontamente
quando sou pégo
de sopetão
mas tá tudo bem
eu talvez tenha pedido isso


Quando se está sem planos
se está sem ângulos obitusos
sem aliança no dedo
o medo
está incluso
mas de lado
eu o deixo
pra poder entender
o desleixo
enrrugado
o prato salgado
é de fato
a estrada
agora obrigado
por não ter me dado

A chance .....empenhada

EM PRANTOS


EM PRANTOS
Sandro Sanchez

Se você lê isto
não me abandone, por favor
eu tenho sofrido tanto
acredite em minha verdade
poxa
eu tenho tanto pra te mostrar

Tanto pra te dizer
nem quero mais me defender
nem quero mais te provar
eu nunca inventei
mas se você acha que não é real
vou parar de inventar verdades

Mas, por favor
não suma
não pague a sua dor
com dor em troca

Talvez eu necessite passar por isto
mas sem ninguém
eu não consigo
sem você eu não consigo
você sabe que estou só agora


Literalmente só
impiedosamente só
acredita em lembrança?
acredita em coração?
em almas?
em vidas?
então não esqueça desta
por favor


Parece que nada de bom eu fiz
talvez não tenha feito mesmo
mas não me trate assim
não me esqueça
está muito difícil
tem coisas que passam
mas isto não

Sei que fiz muito mal
mas deixe-me mostrar como voltei a ser
e vou ao reencontro
cada vez mais

Me ouça de forma limpa

ao menos uma vez
não maltrate este
que te ama

Mas se não for possível
obrigado

É DISTO QUE PRECISO


É DISTO QUE PRECISO
Sandro Sanchez

É necessário este auto-flagelo
sinto-me confortável
sinto-me necessário
importante é
estar no refazendo


Mesmo que a veia seja purulenta
o tato áspero
o tempo gasoso
o nervo rígido
a face em queda
é disto que preciso

Não posso cessar-me
sem pensar um tanto
o pranto não pode e nem irá
emudecer-me
não permitiria
tal deslize
seria imperdoável


Banho-me de realidade
a água
o liquido frio
a agressão na face
o parto permissivo
a prenha envergonhada
é disto que preciso


Sim, é dor e maligno
assim me parece
mas enquanto vivo
é disto que preciso.

domingo, 6 de setembro de 2009

PEQUEI SÓ


PEQUEI SÓ
Sandro Sanchez

Eu chorei
e fiz chorar
eu sofri
e fiz sofrer
acreditei
e fiz acreditar
magoei
e fiz magoar


Eu amei
e não fiz amar
eu desejei
e não fiz desejar
eu tentei
e não fiz tentar

Enlouqueci
e enlouqueceram comigo
perdi
perderam-se comigo
blasfemei
e comigo blasfemaram

Mal disse
mal disseram então

Errei
errei sozinho...
como não poderia deixar de ser
não quis influenciar
e destruir em troca

não me fortaleço com isso
e saio fraco

COMO SEMPRE FUI


COMO SEMPRE FUI
Sandro Sanchez

Não caio mais na cilada que me foi armada
não sou mais pego de surpresa pelo descontrole
não vou reagir a maus tratos
a friezas
a desprezos
e provocações
para o meu único bem


Volto a me conhecer
a me reconhecer
estou convecido
de que não sou o monstro
que fizeram-me acreditar que era
talvez por isso é que
te procurei

Para mostrar-me como sempre fui
a décadas
é que a procurei
não mudei
apenas voltei
a tomar posse de mim

Como sempre fui
desafeto da violência
inimigo da calúnia
cego de confiança
sem jeito pra maldade
e de romance com a ingenuidade


este sim sou eu
como sempre fui