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SOCORRO!
Sandro Sanchez
Eu clamo por socorro
e não é de ontem
e é pra ontem
não sei mais quantas vezes eu terei que dizer
que errei já muito
e não sei quantas vezes direi que tantos erram
também
não sei se atingi o nirvana para entender
que no erro cabe culpa
que no erro cabe perdão
o que faço é obrigação
o que me fazem
é caridade
Preciso de alguém que me defenda
com extrema urgência
não suporto mais desprezos
não suporto mais friezas
tenha piedade
acolha-me
Estou doente
o desprezo adoeceu-me
desprezo de mãe
frieza de manos
alguém
socorro!
Alguém que me queira
que lute comigo
e por mim
que vá comigo
que ilustre minha pureza
o meu bem
pois só
não consigo mais
Estou fazendo tudo certo
mas a pena parece eterna
não me sinto filho
não me sinto irmão
parente, amigo, cidadão
não me sinto parte de nada
de tudo isso
por favor
fale por mim
diga que também sou bom
e mereço
um pouco de mel
SEJA BEM VINDO
Sandro Sanchez
Bem vindo ao que não se pode sentir
por mim
escancaro minha vida
minha desqualificada e sem emoção
minhas dúvidas
minhas balburdias
meu excremento
meu modo
frenético de pensar e de
calcular
planejar
planos inviáveis
de sonhar
tanto
de sonhar muito
que o tempo voltará
e observo
sou observado
e na dificuldade
de me relacionar
vou leve
e vou cego
controlando-me
tomo emprestado a luz da lua
vou aprendendo a viver só
em multidões
A CHANCE
Sandro Sanchez
Quando se chega a um ponto
em que não há mais saída
nem entrada
pensou-se em tudo
tentou-se achar uma mínima semente no chão
e nada
Quando se abriu todas as portas
e todas estão vazias
já se lambeu o prato
já dobrou-se ao máximo o papel
já se tentou dormir sem sono
já se tentou a suplica
a poética feita de ultima hora
O diálogo já acabou
o dinheiro também
o cigarro é fiel amigo
amigos não tenho
por esquece-los
e apostar numa só amizade
E agora "aquela amizade"
meu companheiro
já se foi
e te olham com um transmissor
de doença grave
quando se chega só
gaguejo prontamente
quando sou pégo
de sopetão
mas tá tudo bem
eu talvez tenha pedido isso
Quando se está sem planos
se está sem ângulos obitusos
sem aliança no dedo
o medo
está incluso
mas de lado
eu o deixo
pra poder entender
o desleixo
enrrugado
o prato salgado
é de fato
a estrada
agora obrigado
por não ter me dado
A chance .....empenhada
EM PRANTOS
Sandro Sanchez
Se você lê isto
não me abandone, por favor
eu tenho sofrido tanto
acredite em minha verdade
poxa
eu tenho tanto pra te mostrar
Tanto pra te dizer
nem quero mais me defender
nem quero mais te provar
eu nunca inventei
mas se você acha que não é real
vou parar de inventar verdades
Mas, por favor
não suma
não pague a sua dor
com dor em troca
Talvez eu necessite passar por isto
mas sem ninguém
eu não consigo
sem você eu não consigo
você sabe que estou só agora
Literalmente só
impiedosamente só
acredita em lembrança?
acredita em coração?
em almas?
em vidas?
então não esqueça desta
por favor
Parece que nada de bom eu fiz
talvez não tenha feito mesmo
mas não me trate assim
não me esqueça
está muito difícil
tem coisas que passam
mas isto não
Sei que fiz muito mal
mas deixe-me mostrar como voltei a ser
e vou ao reencontro
cada vez mais
Me ouça de forma limpa
ao menos uma vez
não maltrate este
que te ama
Mas se não for possível
obrigado
É DISTO QUE PRECISO
Sandro Sanchez
É necessário este auto-flagelo
sinto-me confortável
sinto-me necessário
importante é
estar no refazendo
Mesmo que a veia seja purulenta
o tato áspero
o tempo gasoso
o nervo rígido
a face em queda
é disto que preciso
Não posso cessar-me
sem pensar um tanto
o pranto não pode e nem irá
emudecer-me
não permitiria
tal deslize
seria imperdoável
Banho-me de realidade
a água
o liquido frio
a agressão na face
o parto permissivo
a prenha envergonhada
é disto que preciso
Sim, é dor e maligno
assim me parece
mas enquanto vivo
é disto que preciso.
PEQUEI SÓ
Sandro Sanchez
Eu chorei
e fiz chorar
eu sofri
e fiz sofrer
acreditei
e fiz acreditar
magoei
e fiz magoar
Eu amei
e não fiz amar
eu desejei
e não fiz desejar
eu tentei
e não fiz tentar
Enlouqueci
e enlouqueceram comigo
perdi
perderam-se comigo
blasfemei
e comigo blasfemaram
Mal disse
mal disseram então
Errei
errei sozinho...
como não poderia deixar de ser
não quis influenciar
e destruir em troca
não me fortaleço com isso
e saio fraco
COMO SEMPRE FUI
Sandro Sanchez
Não caio mais na cilada que me foi armada
não sou mais pego de surpresa pelo descontrole
não vou reagir a maus tratos
a friezas
a desprezos
e provocações
para o meu único bem
Volto a me conhecer
a me reconhecer
estou convecido
de que não sou o monstro
que fizeram-me acreditar que era
talvez por isso é que
te procurei
Para mostrar-me como sempre fui
a décadas
é que a procurei
não mudei
apenas voltei
a tomar posse de mim
Como sempre fui
desafeto da violência
inimigo da calúnia
cego de confiança
sem jeito pra maldade
e de romance com a ingenuidade
este sim sou eu
como sempre fui