sábado, 12 de setembro de 2009

É DISTO QUE PRECISO


É DISTO QUE PRECISO
Sandro Sanchez

É necessário este auto-flagelo
sinto-me confortável
sinto-me necessário
importante é
estar no refazendo


Mesmo que a veia seja purulenta
o tato áspero
o tempo gasoso
o nervo rígido
a face em queda
é disto que preciso

Não posso cessar-me
sem pensar um tanto
o pranto não pode e nem irá
emudecer-me
não permitiria
tal deslize
seria imperdoável


Banho-me de realidade
a água
o liquido frio
a agressão na face
o parto permissivo
a prenha envergonhada
é disto que preciso


Sim, é dor e maligno
assim me parece
mas enquanto vivo
é disto que preciso.

domingo, 6 de setembro de 2009

PEQUEI SÓ


PEQUEI SÓ
Sandro Sanchez

Eu chorei
e fiz chorar
eu sofri
e fiz sofrer
acreditei
e fiz acreditar
magoei
e fiz magoar


Eu amei
e não fiz amar
eu desejei
e não fiz desejar
eu tentei
e não fiz tentar

Enlouqueci
e enlouqueceram comigo
perdi
perderam-se comigo
blasfemei
e comigo blasfemaram

Mal disse
mal disseram então

Errei
errei sozinho...
como não poderia deixar de ser
não quis influenciar
e destruir em troca

não me fortaleço com isso
e saio fraco

COMO SEMPRE FUI


COMO SEMPRE FUI
Sandro Sanchez

Não caio mais na cilada que me foi armada
não sou mais pego de surpresa pelo descontrole
não vou reagir a maus tratos
a friezas
a desprezos
e provocações
para o meu único bem


Volto a me conhecer
a me reconhecer
estou convecido
de que não sou o monstro
que fizeram-me acreditar que era
talvez por isso é que
te procurei

Para mostrar-me como sempre fui
a décadas
é que a procurei
não mudei
apenas voltei
a tomar posse de mim

Como sempre fui
desafeto da violência
inimigo da calúnia
cego de confiança
sem jeito pra maldade
e de romance com a ingenuidade


este sim sou eu
como sempre fui

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

QUANDO CRIANÇA


QUANDO CRIANÇA
Sandro Sanchez

um dia
quando criança
cheguei a crer
que possuía
dois pais

um...amável
o outro...amedrontador
sentia com frequência
a falta
do amável

Cheguei a ponto
de
quando criança
pedir em quarto escuro
que o amável voltasse
e como pedia
pois era aquele que amava


as vezes ele voltava
pra uma breve visita
era espantoso
quando automaticamente
meu outro pai entrava pela porta
e eu
quando criança
entristecia
por quê o mau voltara


cheguei a crer
quando criança
que o mau
aprisionava
o bom
e não o deixava sair


e hoje
quando semi-formado que sou
acredito
que o bom
aquele amável
morreu
definhou-se
esquecido
e aprisionado
pelo meu
agora eterno
mau pai...

e plenamente...

EU O PERDÔO...

O TRANSPORTE


O TRANSPORTE
Sandro Sanchez

Mas que exaustiva
É
esta vida de rotinas
que embaraço temos que enfrentar
sufocados numa prisão temporária
sem satisfação
sem respeito
e pagamos por isso


Pagamos por obrigação
não por favor
e corremos
ah...e como corremos
pois não sabemos
se funcionará perfeitamente o próximo


E somos olhados como gados
sacolejados e espremidos
e ai de quem reclamar daquilo


Em nossos olhos,tristeza e solidão
mas não podemos parar
tem que ser sempre assim?
sem saída, sem escolha
sem horários definidos

Somos "atendidos"
por quem não entende
e não vive aquilo
mas de tão cansados
achamos normal
e novamente como gados
apenas seguimos e
usamos o que nos é ofertado

Alguns até esbravejam
mas sem sucesso
outros olham
e reprovam
como se pode reclamar ?
temos que nos acostumar
e rapidamente nos modificar
de seres humanos
a esquecidos.

VAI MENINA


VAI MENINA
Sandro Sanchez

Vai menina
mergulha na vida
separa-te do mal
caminhe em migalhas
não te preocupaste
a vida é sua afinal

Não te pertuba
segue como sempre
perene
engole esta mácula
guarda esta faca
já que penas não sente


Continue assim
erguida
lépida e firme
sem pensar muito
senão cansas
como se cansou de tantos
sem unhas mansas
caminha....sem prantos

Torcida tu tens
platéia
de um só
pra isto
somente eu é quem guarda
a tua força
de mulher cruel
de mulher que se deseja
ser desejada
sabe de tua força
não é mulher enganada

Vai agora
mas não erre mais tanto
não leve tantos outros aos prantos
não desista de teus objectivos
mas não desmonte
sonhos alheios pra isto.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

SOMENTE EU


SOMENTE EU
Sandro Sanchez

Esta é ou será
a última poesia
que rabisco na lamentação
na dor
no sofrimento e
na derrota
e na esperança
alheia

somente eu agora interesso
já perdi tempo precioso
já esqueci muito de mim
muito mal também já fiz
não vou impor mais meu ritmo


agora somente eu
importo
somente eu quem merece atenção
carinho e dedicação
e retorno a mim mesmo
vou dar
ao resto respeito
educação
e basta

pensar
somente em mim
lutar por mim
realizar por mim
e não pense você que me influenciou
a fazer isto
nada de bom mesmo ficou
nem mesmo o bem que fiz
agora não mais importa
não mais

agora somente eu
vou merecer atenção
sem esconder de mim e dos outros
meus involuntários fracassos
não terei vergonha de mim
e isto não é precipitado
nem um desabafo
só despertei

você deve pensar, que alívio!
alívio de quê?
alívio pra quê?
de quem?
pois se secundário eu sempre fui


agora somente eu
vou colher as flores e vou presentear-me
vou me buscar, me deixar e me receber

vou me ligar pra saber como estou
vou excessivamente pergutar-me se preciso de algo
vou sufocadamente cuidar da minha integridade
se atraso, somente satisfação a mim
pro resto respeito


vou dar-me o prato mais suculento
o passeio mais bonito
a viagem mais inesquecível
o carinho mais fraterno
o conselho mais benéfico e vou aceitar
sabendo que mesmo sendo rude, é benéfico

vou acordar pensando em mim
adormecer vigiando-me
vou encher-me de alertas
e comodismos
de favores e repetidos retornos
vou agradecer por me preocupar comigo
vou sair e dar-me o melhor lugar
o melhor trago de drink
vou rodar até achar pra mim
um espaço digno merecedor de mim

enviarei-me cartas
dizendo coisas belas e certezas agradáveis que nunca ouvi
vou falar pra mim
que sou importante
vou olhar dentro dos meus olhos e direi a mim
que aconteça o que acontecer
estarei aqui....
comigo.